segunda-feira, 24 de março de 2008

Combina?

Não sei se essa poesia combina(...) com poesia. Fato é que a tempo ando sentindo necessidade de falar sobre um tema na minha opinião, "mega relevante": a solidão, a carência e todas essas coisas que levam as pessoas a cometer besteiras amorosas e depois chorarem. A coisa de uns 2 anos ando percebendo e pensando em como escrever essa poesia, e sinceramente ainda não gostei... talvez ela ainda mude...

Combina,

Meu amor combina,
Meu amor vai ser perfeito
A como te gosto: menina
E já sinto o meu peito

Quantas pessoas perfeitas,
Na mesma noite várias
Pessoas carentes, suspeitas
Será que para mim foram feitas?

Sinto medo, do segredo
Guardo em segredo o vazio,
Deixado por alguém, deixado além,
Quero sair da solidão....
Mas entrar em depressão?

Pessoas independentes, inteligentes,
Mas todas, todas carentes...
Do que elas abrem mão?
O que elas fazem por seu coração?

Não sei se estou certo,
Se estiver errado,
Ou criando confusão
Só quero paz e amor no coração....

segunda-feira, 10 de março de 2008

O sorriso da Menina coelho


Ao pensar em uma menina coelho, quero que penses na ternura esquecida em algum lugar do passado de muitas das garotas que vemos hoje em todos os lugares.... há uma menina coelho no interior de cada uma das mulheres...


Menina coelho, as cantadas sem criatividade...

Me espanta como tudo parece estar ficando “simples” ou sem conteúdo, diálogos estão ficando sem criatividade, qualquer um consegue ser “famoso” ou socialmente importante. Não consigo perceber se os nortes de nossa sociedade são os responsáveis por essa decadência intelectual ou se eles são reflexo disso... Fato é que nossa sociedade parece estar reduzida à “mulheres bunda[a]” e “homens musculos[b]” que nada mais são o futuro almejado por “crianças chat, orkut, second lifet...”, sinceramente os últimos me preocupam menos que os dois anteriores, um porque ainda tem conserto, outro por que normalmente não impressões erradas sobre as diversões infantis diferentes das nossas são comuns, pois sou da geração “video game” e essa geração produziu ótimos programadores...
Porem, voltando a falta de criatividade nas relações homem-mulher, nunca consegui me portar como um sujeito que abordaria uma menina “-e ai princesa”, tão pouco sito-me bem abordando uma guria sem palavras não sou mudo! Atualmente me parece ser mais comum o jargão “gostosa!”, ou qualquer expressão em que um homem músculo mostra a uma mulher bunda que ele é o mais musculoso, o homem mais másculo que existe na festa... Bem cantadas a parte todas elas parecem estar simples, sem criatividade e o mais próxima possível de nosso lado mais animal no qual a força física ou monetária é proporcional ao sucesso com o sexo oposto.
Sou um sujeito tímido e sem muita criatividade, porem não me atrevo a escrever ou falar qualquer coisa, repetir qualquer coisa, se for para papagaiar, que seja a repetição frenética de algo no mínimo inteligente. A maioria das pessoas não têm por hábito um certo controle de qualidade sobre o que esta sendo repetido. Um dia desses a noite olhei para uma menina linda, intrigante, bem, na realidade seu jeito é que chamava a atenção. Não gosto, muito por minha timidez de abordar gurias durante a noite, porem me obriguei a falar palavras sinceras à ela: que era linda e parecia simpaticíssima! A menina se virou, com uma face linda lembrava um simpático coelho feliz e, A Menina coelho sorriu, não consegui tocá-la.
Linda e simpática, são características não necessariamente sexuais, são sensuais, são femininas, talvez seja isso que falte ao nosso mundo características femininas, não feminismo ou masculismo. O que sempre admirei nas mulheres, nas mães, nas avôs, nas professoras, nas mulheres é sua capacidade de ser calma, compreensiva, ser mais humana e menos animal que nós homens.
Qual será o fim de minha geração e da geração das meninas coelho??? Percebo uma falta de ternura, uma falta de preocupação com os outros... este texto está sendo confeccionado próximo à comemoração do dia internacional da mulher, dia este que serve para lembrarmo-nos de uma chacina, será que elas morreram em vão? Será que o sorriso das meninas coelho está desaparecedo?
[a]Um Filhote de Leão
[b]Um Filhote de Leão

sábado, 1 de março de 2008

OCIPS, pensando bem, moderno = bom?

Selecionei, o texto abaixo de uma Profª Maria Ceci Misoczky da Escola de Administração da UFRGS, públicano no Jornal Zero Hora de Porto Alegre no dia 05/02/2008. Interessante na minha opinião, pois mostra com argumentos inteligentes como o Estado mínimo, ou as formas de torna-lo "agil e menos burocrático", ou simplesmente "moderno" também são fálias. Não tenho nenhum interece partidário em recortar este artigo. Porem político sim, sou da geração de "filhos da democratização" infelimente em nosso sistema político parecem ocorrer muitas "modernizações" em todos os níveis da Adm. Pública e curiozamente em anos multiplos de 4 (4, 8, 12...). Minha visão política de "filho da democratização" é que precisamos de mais atitudes de Estado, ou de longo prazo...

"Oscips: riscos para a eficiência, por Maria Ceci Misoczky

O marco legal das Oscips, recentemente aprovado pela Assembléia Legislativa do RS, precisa ser considerado com muita cautela, tendo em vista os riscos inerentes a toda reforma da administração pública que enfraquece as possibilidades e mecanismos de controle, como neste caso.
Apesar da ênfase dos seus defensores em supostos ganhos de eficiência, é precisamente quanto aos riscos de perda de eficiência que devemos estar alertas. Simplificando, a eficiência na administração se refere à relação entre o custo da ação e o benefício dela decorrente. Em se tratando da administração pública, ou seja, da gestão de recursos que pertencem à sociedade, a existência de instituições, normas e procedimentos de controle do gasto é uma condição indispensável para a realização da eficiência. Os controles públicos não são nem retrógrados, nem geradores de perdas. Pelo contrário, são absolutamente indispensáveis.
Veja-se a muito citada Lei de Licitações. Com o aperfeiçoamento da legislação que trata de aquisições governamentais e com o advento do pregão eletrônico tem sido possível combinar elementos de eficiência, agilidade, controle e transparência no gasto público, sem a necessidade de criar novos formatos jurídicos, como as Oscips. O fato é que os regulamentos próprios colocados para as Oscips, ao burlar mecanismos de controle, podem abrir considerável espaço para a corrupção. Além disso, a escolha sem realização de licitação pública de qualquer Oscip para assinar termo de parceria e, portanto, receber e gerir recursos públicos, é indefensável e insustentável.
A existência do marco regulatório das Oscips, em nível federal, já autoriza tanto sua existência quanto a realização de parcerias com estas organizações, só que neste caso parcerias efetivamente pontuais e regidas pelas regras e controles da administração pública."

Racismo, Liberdade e Bom-senso

O Texto desta públicação foi retirado do link alí é de um Blog que leio e recomendo, foi adaptado de uma publicação do Jornal o Globo (2/2/2008, com o título "Ninguém tem o monopólio dos temas”. Bernardo Sorj é professor titular de sociologia da UFRJ ) pela autora do referido blog e mesmo tario me parece sempre atual....

A tradição diz que a sabedoria é o caminho do meio. Nem empurrar realidades desagradáveis embaixo do tapete por medo do conflito, nem insuflar os fatos além de suas reais dimensões. Tempos atrás a porta de minha sala na UFRJ foi pixada com uma suástica. Fui convidado por lideranças da comunidade judaica a denunciar publicamente a “existência de anti-semitismo na universidade”.
Recebi a solidariedade de todos meus colegas e alunos, e minha intuição – informada por outras pixações que tinha sofrido – era de que ela foi feita por um aluno ressentido com minhas críticas. Com certeza não estava frente a um fenômeno de “anti-semitismo na universidade” e a solidariedade de meus colegas me pareceu suficiente. Achava que valorizar o evento seria dar publicidade indevida a um ato isolado e alimentar uma imagem distorcida da realidade.
O respeito pela sensibilidade alheia, e mais ainda no espaço público, seja em relação a objetos sagrados ou de grupos que sofreram discriminação, humilhação e perseguição é fundamental para construir uma sociedade onde ninguém sinta negada sua dignidade humana. Este objetivo, porém é um ideal em direção ao qual procuramos encaminhar, mas que é construído a partir de uma bagagem cultural, onde hábitos lingüísticos, formas de humor e preconceitos inconscientes estão presentes.
Não se trata de justificar nenhum deles, mas também de reconhecer que um comentário mal elaborado em torno a raça, religião, sexo ou etnia não transforma alguém em racista, anti-semita, homofóbico ou sexista. O conceito racismo esconde uma diversidade de situações. Um comentário racista não significa que o individuo esteja disposto a entrar o Klu Klux Klan ou o partido nazista, ou que esteja imbuído de ódio racial. As maiorias das pessoas que fazem estes comentários se desculpam quando se conscientizam que feriram a sensibilidade de alguém. Aclaremos, não estamos justificando expressões indevidas.
Elas devem ser combatidas, mas com a ponderação devida em cada caso. Porque infelizmente, o racismo, sexismo, etc., podem produzir uma indústria de vitimização, de lideres e instituições que se projetam pela denuncia, levando-os a apresentar uma versão distorcida ou inflacionada dos fatos. Existem áreas onde a luta contra o preconceito apresenta dimensões complexas e difíceis de resolver.
O humor sem dúvida é uma delas. Muitas charges [por] vezes ferem a sensibilidade de indivíduos e grupos. O humor deve ser censurado, a pesar de que ele explicitamente se reconhece como tal, isto é gozação, distorção e caricatura do real? A minha reação é que não, que o humor é parte constitutiva de uma sociedade democrática, pois ela representa a forma mais eficaz de criticar, questionar, duvidar e ironizar, nos obrigando a aceitar visões diferentes daquilo que nós “adoramos”.
Agora volta a surgir, como já aconteceu em carnavais passados, o lugar da liberdade de expressão das escolas de samba, e, em particular, seus carros alegóricos. Como sabemos o carnaval é uma parodia da realidade e as escolas de samba tratam dos mais diversos temas, desde a violência na cidade, que contou com a participação de vítimas diretas e familiares, à escravidão no Brasil. Todo tema pode ser “carnavalizado”. A questão, portanto, não é o tema, pois ninguém tem monopólio sobre ele, mas a forma em que ele é tratado e a mensagem que se procura veicular.
Uma discussão ponderada sobre o carro alegórico dedicado ao holocausto deveria focalizar somente esta questão. Idealmente, um diálogo aberto, público, entre todas as partes interessadas é o caminho a trilhar nestas situações, onde não existem razões para duvidar da boa fé de todos os envolvidos. É possível que no final do dia tenhamos posições diferentes, mas sem preconceitos e com clareza sobre os pontos em que divergimos, dentro de uma lição de convivência democrática“.