sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sorrizo da Monaliza


É azul, como teus olhos,
o dia que quero enxergar,
sempre assim quero estar...
perto de ti para te amar

Seu sorriso é valioso,
Saber dele, a distância
me deixa vaidoso

Imaginar que palavras falar
Elétricas, para te aproximar,
Um campo forte quero formar
Para você não se afastar

Uma luz que queima
Arde como gasolina
E em mim teima
Esse sentimento: oxitocina.

E agora José!!!

O poema é muito popular, acho que quase todos os leitores deste blog um dia já leram este poema, mas inspirado por um amigo que lembrou do poema várias vezes e fez lembrar da genialidade de Carlos Drummond quero posta-lo. Leitores eBeto, sintan-se a vontade com o Gênio.

José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
...e agora, José?
...e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
...e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
...e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio (...) e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocassea valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo pretoque fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade